Caros Amigos,
Conforme promessa, hoje, neste post, vou tratar de cloud
computing e governo e falar do já saudoso, Steve Jobs, homem que revolucionou a
indústria do entretenimento, tecnologia e a interação entre homem e máquina.
Bem, primeiro vamos alinhar as expectativas do tema, afinal,
devido à complexidade poderíamos escrever um livro. Na postagem, vou tratar de
algumas visões de futuro e iniciativas de governos estrangeiros e transportar, primeiro
para o universo empresarial com possíveis oportunidades e, depois, criar um
vínculo entre o tema e questões jurídicas.
Muito se tem dito sobre a mudança de atitude do governo
brasileiro no tocante a questões de e-gov, como por exemplo, Sped contábil,
Sped fiscal e sped PIS/Cofins, temos
também no Brasil, o imposto de renda que é exemplo mundial, enfim, são de fato
iniciativas importantes e irreversíveis, porém, ainda não há clareza quanto
como o governo do Brasil irá interagir com a onda de computação em nuvem,
embora existam normativas de aquisição e utilização e consumo de recursos de
TI, não há uma tratativa real sobre o tema. Sabemos que o governo é o maior
comprador do mercado, somente entre 2004 e 2010, o governo federal gastou algo
em torno de R$ 14 bilhões de reais com investimentos em tecnologia (hardware,
software e serviços) e telecomunicação. Este imenso mercado, deverá nos
próximos anos, adquirir produtos e serviços em nuvem e ainda não temos uma
definição de regras e regulamentação.
Portanto, e para trazer uma luz sobre este assunto, recorro
a uma iniciativa da Inglaterra, lá, o governo criou uma estrutura que possui um
conjunto de regulações visando concretizar suas estratégias e atingir os objetivos
de tornar a Grã Bretanha, a sociedade digital mais avançada do mundo, para tal,
e antes de tudo, o governo analisou suas condições atuais e descobriu que um
dos grandes desafios é a defasagem tecnológica, isto é comum, inclusive nas empresas,
tendo em vista que a velocidade da evolução tecnológica é maior que a
capacidade de atualização, principalmente do hardware. Em seguida, o governo,
aprofundou em pesquisas para descobrir as
necessidades dos cidadãos e das entidades públicas e criou um guia, chamado
G-Cloud, para inserir a o governo Britânico
na computação em nuvem, dentre várias necessidades que nortearam a iniciativa,
destaco:
1.
Readequação da cultura de TI, passando do modelo
interno de “cuidar” de todo o ciclo do universo da tecnologia para o modelo de monitorar, medir e cobrar
resultados.
2.
Reutilização dos ativos existentes, esta
preocupação, visa essencialmente reaproveitar os ativos adquiridos,
3.
Redução de custos e agilidade.
4.
Satisfação dos usuários.
5.
Determinar níveis de segurança.
Pois bem, isto posto, destaco a principal estratégia,
brilhante, diga-se de passagem, que agora, vincula o texto a Steve Jobs. O
governo do Reino Unido pretende criar um Marketplace com soluções certificadas
dos fornecedores, ou seja, assim como ocorre na Apple Store, onde milhares de
desenvolvedores criaram e certificaram seus produtos de software para
funcionarem e serem distribuídos na plataforma da Apple, os aplicativos dos
fornecedores do governo serão certificados e inseridos em uma nuvem para serem “comprados”
por órgãos públicos, isto é uma grande “sacada” e muda completamente o “jogo”, haverá uma mudança radical na forma de adquirir
soluções de TI, já pensou no volume de investimentos e nas possibilidades?
Pensou que uma empresa, fora deste jogo, passa a ter possibilidades? Mesmo as
menores empresas, poderão ter seus produtos na loja virtual, através de
consolidadores que ofereçam maiores garantias ao governo, portanto, grandes
empresas continuarão fortes, mas muitas delas serão integradoras de solução,
acomodando vários pequenos desenvolvedores, esta á a tendência que se desenha.
Enfim, rendo-me ao Steve Jobs, conseguiu inclusive mudar as relações de governo
e sociedade, e citando o que ele mesmo disse, fazemos coisas hoje que não
sabemos os impactos amanhã...
Agora e para fechar,
vamos direcionar o tema ao universo jurídico, afinal, o que tem haver este
tema e o direito ? tem muito haver, a
lei 8.666/93 que rege as licitações, deverá passar por fortes mudanças para se
adequar a “nuvem”, hoje, o governo brasileiro não tem condições de adotar um
marketplace sem mudança da legislação. Outro ponto importante que faz parte do
cotidiano dos departamentos jurídicos é determinar quais riscos existem para
suas empresas se o governo adotar modelo semelhante. Bem, o banquete está
pronto precisamos agora digerir o conteúdo.
No próximo post, tratarei sobre “níveis de segurança” e
necessidades que o governo do Reino Unido
identificou para definir sua política em relação à Cloud Computing.
Grande abraço,
Carlos Maffei
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