terça-feira, 16 de setembro de 2014

E-social e os impactos nas empresas



A Receita Federal bateu um recorde histórico de arrecadação em 2013 e, segundo o Secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto, as perspectivas são boas para 2014. Faltou apenas citar para quem. No entanto, apesar da carga tributária ser nefasta para o país, não podemos deixar de reconhecer as inovações e tecnologias que transformaram a Receita Federal brasileira em um modelo internacional.
Nesse sentido, a Receita vem buscando automatizar as informações das empresas, pois tivemos o ECF, EFD... Enfim, pouco importam as siglas. O que notamos é que o governo terá, em um futuro não tão distante, TODAS as informações sobre as atividades das empresas.
Pois bem, este ano teremos mais uma sigla incorporada ao nosso vocabulário. Na verdade, falamos muito dela desde 2013. É a já famosa Escrituração Fiscal Digital Social, ou apenas eSocial, que até o momento é a parte mais complexa do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) e vem abolir uma série de procedimentos e métodos de geração e envio de informações para um modelo automatizado.
O eSocial é um projeto do governo federal que vai unificar o envio de informações pelo empregador em relação aos seus empregados. Substituindo gradualmente o atual envio de informações sobre registro do empregado, como SEFIP, RAIS, CAGED, DIRF, CAT, Manad, Processos trabalhistas, Atestados médicos, entre outros, o sistema realizará a escrituração digital da folha de pagamentos e das demais obrigações acessórias relativas à contratação e utilização de mão de obra onerosa, com ou sem vínculo empregatício.
Porém, em reuniões ou palestras sempre percebemos a preocupação com as informações e prazos do governo, uma vez que poucas empresas entenderam o impacto e o porte dessa nova tecnologia, ou seja, embora seja válida a preocupação com a obrigação em si, entender as transformações internas deveria ser o primeiro e principal passo. Hoje podemos afirmar que as empresas não estão preparadas para a adoção desse modelo, porque as práticas atuais não são compatíveis com as demandas do governo, senão vejamos:
1 · Praticamente todas as áreas das empresas serão afetadas e os gestores dessas áreas sabem disso? Estão comprometidos com as mudanças e a adoção de novas tarefas?
2 · Os sistemas legados ao RH, como Jurídico, Financeiro e outros, estão integrados? Se não estão, já existe um estudo? Os atuais fornecedores de TI apresentaram um plano?
3 · Como ficarão os processos de RH que devem, a partir de agora, serem informados um dia após o fato, como por exemplo, em uma alteração contratual? Como a empresa terá agilidade para realizar o procedimento interno e isso ser automaticamente enviado?
4 · Quais são os procedimentos de auditoria que garantirão que todos realizaram suas tarefas e que os arquivos da receita podem ser enviados?
5 · Como serão tratados os processos terceirizados de RH, como por exemplo, medicina do trabalho? Como garantir que as informações serão enviadas a tempo e estão corretas?
6 · Os dados atuais estão ajustados? Sabemos que a receita valida dados e se eles não estiverem consistentes, os arquivos não serão entregues.
Enfim, poderíamos ficar até amanhã citando preocupações e eventuais obstáculos, mas nosso foco é, na verdade, despertar a consciência de que esse novo “SPED” é provavelmente  maior e com mais impactos corporativos.
Nossa sugestão é a criação de um comitê multidisciplinar nas empresas para que todas as áreas conheçam e saibam os impactos do eSocial. Em seguida, sugerimos o mapeamento do estado atual dos processos internos e a identificação das necessidades de mudança operacional, funcional e tecnológica e, a partir desse ponto, adquirir uma solução de eSocial.
É importante que tomemos consciência dos riscos e das oportunidades que surgirão, como a melhoria dos processos internos, a racionalização de custos e a automação. O momento é uma ótima oportunidade para que as empresas sejam mais eficientes. Agora não faltam desculpas para implementar as mudanças e melhorias.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Pessoal,

Hoje, no blog, quero apenas agradecer as pessoas que pacientemente assistiram a palestra sobre inovação tecnológica e o impacto nos departamento jurídicos, que foi realizada no fórum anual dos departamentos jurídicos, fórum realizado pelo IBC Brasil no hotel Golden Tulip, em São Paulo.

Aproveito para disponibilizar o material da palestra à todos e também disponibilizar a história que utilizei no fim, sobre uma menina de nome Sadako, que nos inspira e nos mostra como podemos perseverar e inovar mesmo com  pequenas coisas, na verdade inovação está dentro de nós !

Para aqueles que puderam assistir in loco, espero que tenham gostado e para os que acessam o blog, segue o donwload e o link da história da menina.

Download palestra:

https://docs.google.com/open?id=0B9DBSbd_tImNMF9uOUdQQlBKM2M


link da história:

http://espaco-esperanca.blogspot.com.br/2007/05/os-mil-pssaros-de-sadako-eleanor-coerr.html


abraços,

Carlos Maffei

terça-feira, 10 de abril de 2012

O que de fato aconteceu com o Megaupload ?

Pessoal,



Esta é uma questão que abalou o mundo virtual e até hoje é mal contada.

Afinal, o que ocorreu com o portal Megaupload ?

Todo mundo se lembra do Megaupload que no final de janeiro foi fechado e seus proprietários foram presos, pois bem, desde então, muito se tem falado à respeito e inclusive quais seriam os motivos para o encerramento da empresa, informações correram o mundo dizendo que faziam lavagem de dinheiro, outros que era pela pirataria mesmo, porém a verdade é outra...

Pouco tempo antes do fechamento, o Megauploud gravou um vídeo com vários artistas que apoiavam o portal, este vídeo foi para o youtube, porém, rapidamente foi retirado do ar sob várias acusações, inclusive do uso indevido e por ser um vídeo falso. Embora o vídeo tenha sido gravado corretamente e os artistas terem assinado contrato, mesmo assim, o vídeo não voltou ao ar e o Megaupload teve que ir até o google comprovar a veracidade e legalidade do material e do seu uso. Porém a ideia do Megaupload era muito maior, o objetivo do Megaupload era criar um novo negócio onde artistas gravariam novas composições e álbuns  e ainda  permitiriam que o conteúdo fosse baixado gratuitamente, em contrapartida,  ganhariam parte da publicidade do portal... ideia fantástica, menos para as grandes gravadoras, é claro.  Movidas pelo medo e pelo novo modelo, elas começaram uma campanha de difamação e perseguição contra o Megaupload, e venceram.

Bem, esta é a história, se você tem ou pretende ter algum negócio na internet ou em mobilidade, lembre-se que a legislação é praticamente inexistente e isto é muito perigoso, mesmo uma lei ruim é melhor que lei alguma, a falta de legislação pode colocar você e seu negócio em risco.


abraços,
Carlos Maffei

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Cloud computing - computação nas nuvens

Caros,

Postei em outro blog, voltado exclusivamente a Cloud computing, um artigo inicial sobre o tema. Acredito que este blog poderá esclarecer e aumentar o conhecimento de todos nós sobre este assunto tão discutido no momento.

Aguardo a visitação no blog:

http://negociosnasnuvens.blogspot.com


grande abraço e desfrutem o máximo (sugiram temas e debates)


Carlos Maffei

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Steve jobs, Cloud Computing e o governo


Caros Amigos,

Conforme promessa, hoje, neste post, vou tratar de cloud computing e governo e falar do já saudoso, Steve Jobs, homem que revolucionou a indústria do entretenimento, tecnologia e a interação entre homem e máquina.

Bem, primeiro vamos alinhar as expectativas do tema, afinal, devido à complexidade poderíamos escrever um livro. Na postagem, vou tratar de algumas visões de futuro e iniciativas de governos estrangeiros e transportar, primeiro para o universo empresarial com possíveis oportunidades e, depois, criar um vínculo entre o tema e questões jurídicas.
Muito se tem dito sobre a mudança de atitude do governo brasileiro no tocante a questões de e-gov, como por exemplo, Sped contábil, Sped fiscal  e sped PIS/Cofins, temos também no Brasil, o imposto de renda que é exemplo mundial, enfim, são de fato iniciativas importantes e irreversíveis, porém, ainda não há clareza quanto como o governo do Brasil irá interagir com a onda de computação em nuvem, embora existam normativas de aquisição e utilização e consumo de recursos de TI, não há uma tratativa real sobre o tema. Sabemos que o governo é o maior comprador do mercado, somente entre 2004 e 2010, o governo federal gastou algo em torno de R$ 14 bilhões de reais com investimentos em tecnologia (hardware, software e serviços) e telecomunicação. Este imenso mercado, deverá nos próximos anos, adquirir produtos e serviços em nuvem e ainda não temos uma definição de regras e regulamentação.
Portanto, e para trazer uma luz sobre este assunto, recorro a uma iniciativa da Inglaterra, lá, o governo criou uma estrutura que possui um conjunto de regulações visando concretizar suas estratégias e atingir os objetivos de tornar a Grã Bretanha, a sociedade digital mais avançada do mundo, para tal, e antes de tudo, o governo analisou suas condições atuais e descobriu que um dos grandes desafios é a defasagem tecnológica, isto é comum, inclusive nas empresas, tendo em vista que a velocidade da evolução tecnológica é maior que a capacidade de atualização, principalmente do hardware. Em seguida, o governo, aprofundou  em pesquisas para descobrir as necessidades dos cidadãos e das entidades públicas e criou um guia, chamado G-Cloud,  para inserir a o governo Britânico na computação em nuvem, dentre várias necessidades que nortearam a iniciativa, destaco:

1.       Readequação da cultura de TI, passando do modelo interno de “cuidar” de todo o ciclo do universo da tecnologia  para o modelo de monitorar, medir e cobrar resultados.

2.       Reutilização dos ativos existentes, esta preocupação, visa essencialmente reaproveitar os ativos adquiridos,

3.       Redução de custos e agilidade.

4.       Satisfação dos usuários.

5.       Determinar níveis de segurança.
Pois bem, isto posto, destaco a principal estratégia, brilhante, diga-se de passagem, que agora, vincula o texto a Steve Jobs. O governo do Reino Unido pretende criar um Marketplace com soluções certificadas dos fornecedores, ou seja, assim como ocorre na Apple Store, onde milhares de desenvolvedores criaram e certificaram seus produtos de software para funcionarem e serem distribuídos na plataforma da Apple, os aplicativos dos fornecedores do governo serão certificados e inseridos em uma nuvem para serem “comprados” por órgãos públicos, isto é uma grande “sacada” e muda completamente o “jogo”,  haverá uma mudança radical na forma de adquirir soluções de TI, já pensou no volume de investimentos e nas possibilidades? Pensou que uma empresa, fora deste jogo, passa a ter possibilidades? Mesmo as menores empresas, poderão ter seus produtos na loja virtual, através de consolidadores que ofereçam maiores garantias ao governo, portanto, grandes empresas continuarão fortes, mas muitas delas serão integradoras de solução, acomodando vários pequenos desenvolvedores, esta á a tendência que se desenha. Enfim, rendo-me ao Steve Jobs, conseguiu inclusive mudar as relações de governo e sociedade, e citando o que ele mesmo disse, fazemos coisas hoje que não sabemos os impactos amanhã...

Agora e  para fechar, vamos direcionar o tema ao universo jurídico, afinal, o que tem haver este tema e o direito ?  tem muito haver, a lei 8.666/93 que rege as licitações, deverá passar por fortes mudanças para se adequar a “nuvem”, hoje, o governo brasileiro não tem condições de adotar um marketplace sem mudança da legislação. Outro ponto importante que faz parte do cotidiano dos departamentos jurídicos é determinar quais riscos existem para suas empresas se o governo adotar modelo semelhante. Bem, o banquete está pronto precisamos agora digerir o conteúdo.
No próximo post, tratarei sobre “níveis de segurança” e necessidades que o governo do Reino Unido  identificou para definir sua política em relação à Cloud Computing.


Grande abraço,

Carlos Maffei

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O departamento jurídico e o planejamento estratégico


Caros,

Depois de muitos eventos, vivências profissionais e muita análise, conclui que os departamentos jurídicos são estratégicos, mas não participam das diretrizes estratégicas e pouco fazem para contribuir com o negócio da empresa.

Evidente que isto parece ser uma contradição, mas na verdade é a pura realidade, aliás, este equívoco não é apenas cometido pelos advogados e gestores jurídicos, isto está enraizado na cultura corporativa, muitos acreditam que participar da elaboração do planejamento, executar o que foi planejado e medir torna seu departamento alinhado ao negócio, puro engano, na verdade assim como o advogado pouco conhece do negócio, o inverso também é verdadeiro, o negócio conhece ainda menos o jurídico, como consequência, a empresa não sabe como tornar o departamento jurídico como uma área de frente da corporação, uma área que possa contribuir com resultados reais e ações do dia a dia.

Durante o processo de elaboração do planejamento, a empresa traz diretrizes pré-estabelecidas e as áreas desenvolvem as estratégicas, mas pense bem, a diretriz já foi estabelecida, a pergunta é, por quem? Os advogados corporativos, com raríssimas exceções, não participam das diretrizes, existe um lindo texto de Shakespeare que diz: “Se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve”, é profundo e nos faz voltar no tempo e nos indagarmos; Direcionamos ou somos direcionados nas estratégias corporativas?

Bem, acredito que somos direcionados, para quebrar este ciclo é necessário que se pense à frente e que reflitamos todos os dias sobre o negócio de nossa empresa e o que podemos fazer para realmente contribuir, existem muitas possibilidades, por exemplo: Ao invés de reduzir simplesmente custos, agregar custos que multipliquem o lucro, através, por exemplo, de prevenção, é possível antever o que poderá impactar a empresa, identificar produtos que devem deixar de ser produzidos ou readequados, enfim, trazer para a operação conhecimento que prove que o caminho não está correto.

Nas empresas, principalmente as multinacionais, existe uma área fortemente apoiada pela alta direção, conhecida como inteligência de mercado, pergunto, estamos juntos com está área? Temos inteligência jurídica ou simples conjunto de dados e informações? Geramos números ou produzimos conhecimento?

São muitas perguntas e respostas difíceis, quando não, dolorosas...

Espero que texto abra reflexão, aguardo postagens para discussões.

Até e um abraço,

Carlos Maffei
Diretor de Negócios e estratégia
GlobalWeb Corp
Baixe o arquivo (palestra planejamento estratégico)
https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=explorer&chrome=true&srcid=0B9DBSbd_tImNNjhlODgyNTYtZDdjMi00MTU5LTk4MTctZTgxY2I3ODE1ZjBi&hl=en_US

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

11 de Setembro de 2011

Caros,

Plagiando Roosevelt, que pronunciou no dia 08 de dezembro de 1941 (um dia após o ataque japonês a Pearl Harbor) a seguinte frase, durante discurso no congresso dos EUA; "Ontem, 07 de dezembro de 1941, uma data que viverá na infâmia", esta famosa frase bem poderia ser aplicada a 11 de setembro de 2001, nesta semana, revivemos a tragédia e nos demos conta que  já se passaram 10 anos, estamos todos 10 anos mais velhos e as lembranças do dia ainda não se apagaram.

Sendo um pouco mais crítico, podemos dizer que foram apenas dois prédios destruídos, e cerca de 2900 mortos, a história registrou dezenas de outros massacres, guerras, cercos e bombardeios que mataram mais e de forma mais sofrida.

Apenas no século XX, podemos nos lembrar das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, do famoso bombardeio de Dresden na Alemanha durante a segunda grande guerra, onde se estima mais de 140 mil mortos, podemos nos lembrar dos ataques ao Vietnã com bombas de napalm, enfim, só na segunda guerra foram cerca de 50 milhões de mortos, então porque 11 de setembro está tão marcado ?  afinal, são os americanos um dos maiores algozes do mundo nos últimos 100 anos.

Acredito que o principal motivo seja o desencadear de mudanças comportamentais, sejam de caráter individual, sejam de aspecto corporativo. O dia 11 de setembro de 2001 provocou uma aceleração da tecnologia e uma fúria sem paralelo por segurança. Em nome da segurança, viajar tornou-se um martírio (necessário, diga-se de passagem), os americanos, por força de lei, promulgaram o ATO PATRIÓTICO, através deste ato, podem prender qualquer individuo sem acusação formal, um retrocesso legal, semelhante aos tempos dos césares.  As empresas em território estadunidense, perderam até a privacidade de suas informações, e-mails, blogs e informações individuais podem ser violadas sem que a lei possa intervir.

No momento, a onda tecnológica é o Cloud Computing ou a computação em nuvem, as empresas e pessoas passarão cada vez mais a utilizar recursos de computação hospedados em locais remotos como, por exemplo, datacenters espalhados pelo mundo, a Microsoft lançou a plataforma Azure que é a sua nuvem dos aplicativos na internet, mas, a sua informação e de sua empresa podem ser acessadas pelo governo americano? Lembro que várias empresas de outros países se negam a utilizar hospedagem de aplicativos em que os datacenters estejam nos EUA devido à lei americana, e nós? Qual o posicionamento jurídico das empresas?

Podemos competir com empresas americanas tendo o acesso e o sigilo aos dados das nossas empresas expostos?

São perguntas que precisam ser feitas e as respostas devem ser rápidas, pois a "nuvem" é uma tempestade e vai pegar a todos, espero que estejamos de guarda chuvas.

No próximo post, vamos comentar sobre governo eletrônico e computação em nuvem...

Até mais!

Carlos Maffei